Advogados defendem dispensa de licitação a serviços advocatícios
Os Advogados Públicos defenderam hoje na OAB/PI a dispensa de licitação a serviços advocatícios
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí, Chico Lucas, esteve reunido com um grupo de advogados públicos para debater as reiteradas ações judiciais de algumas instituições contra a contratação de advogados com inexigibilidade de licitação. Os advogados reivindicaram maior atenção da OAB-PI a essas demandas, que, segundo eles, pretendem criminalizar o exercício da advocacia, notadamente dos profissionais que prestam serviço aos órgãos públicos.
Foto: Pauta Judicial/Telsirio Alencar
Sede da OAB/PI
O advogado Raimundo Junior relata que alguns colegas estão respondendo a ações movidas pelo Ministério Público e que já existe uma discussão no Tribunal de Contas do Estado do Piauí acerca da regularidade e da necessidade da contratação de advogados com ilegibilidade de contratação. “Nos reunimos para fazer algumas reinvindicações ao presidente, porque esse é um nicho que se encontra atualmente sob foco de reiteradas ações de algumas instituições sobre a possibilidade dos contratos e as formas de contratação. Nós entendemos que o que não pode haver é a criminalização da advocacia”, defendeu.
O Conselho Nacional do Ministério Público, por meio da Resolução n° 36/2014, estabeleceu que “a contratação direta de advogado ou de escritório de advocacia por ente público, por inexigibilidade de licitação, por si só, não significa ato ilícito ou ímprobo”. Além disso, o Conselho Federal da OAB, por meio da Súmula 04/2012, deixou claro o entendimento de que “é inexigível procedimento licitatório para contratação de serviços advocatícios pela Administração Pública, dada a singularidade da atividade, a notória especialização e a inviabilização objetiva de competição”.
Na ocasião, Chico Lucas disse que é a favor da contratação de advogados privados pela administração pública para serviço técnico especializado, cuja singularidade e capacidade do profissional tornam inviáveis a realização de licitação. “O Supremo Tribunal Federal já se posicionou pela inexigibilidade de licitação, afastando a imputação de improbidade administrativa”, disse o presidente da OAB-PI.
Os advogados solicitaram o apoio da Ordem para a criação de uma agenda institucional de visitas da OAB e dos profissionais militantes na área ao TCE-PI e ao Procurador Geral de Justiça, Cleandro Moura, para esclarecer esses entendimentos e garantir que o exercício da advocacia seja resguardado.
Também estiveram presentes o presidente da Comissão de Relação com o Poder Judiciário, Einstein Sepúlveda, e a diretora geral da Escola Superior de Advocacia do Piauí, Naiara Morais.
Na ocasião, também foram apresentadas as iniciativas na área da saúde, além de oficinas de trabalho oferecidas aos detentos, que geram oportunidades de aprendizado, qualificação e ressocialização.