Governos Lula e Rafael levam mais de 100 serviços gratuitos ao Verdão
Mais de 100 serviços gratuitos dos governos federal e estadual são levados ao Verdão nesta sexta (6) e sábado (7); Confira a carta de serviços


Há um silêncio que não é paz, é ausência.
Um silêncio que se arrasta pelas ruas de chão batido, pelas salas vazias de escolas esquecidas, pelos olhos que olham, mas não leem, pelas mãos que trabalham, mas não escrevem seus próprios nomes.
O Piauí carrega, entre suas belezas e bravuras, um peso antigo, vergonhoso, alarmante:
é a segunda maior taxa de analfabetismo entre as unidades federativas do Brasil.
Segundo o IBGE, mais de 17% da população com mais de 15 anos não sabe ler nem escrever.
E entre os mais velhos, esse número ultrapassa os 30%.
Isso não é só estatística.
É sentença.
É um futuro que se dissolve antes mesmo de começar.
Analfabetismo não é apenas a ausência da leitura, é a ausência do acesso.
Acesso à informação, à autonomia, à dignidade.
É não conseguir entender a bula de um remédio, a placa de um hospital, a lei que o governa, o contrato que o explora.
É viver em um mundo onde tudo está escrito, mas onde você é estrangeiro no próprio idioma.
E isso, no século XXI, é crueldade institucionalizada.
O Estado fecha os olhos, ou finge que abre escolas.
Inaugura prédios, mas abandona professores.
Distribui tablets, mas ignora a fome e a ausência de luz elétrica.
Faz discursos sobre o futuro,
enquanto milhares ainda vivem no atraso imposto por gerações de negligência.
Analfabetismo é uma herança maldita.
É a ferida aberta de um país que prometeu liberdade, mas entregou descaso.
E no Piauí, essa ferida sangra mais fundo.
O que esperar de um povo impedido de sonhar com as próprias palavras?
Como construir cidadania se parte da população sequer pode compreender seus direitos?
A palavra, quando negada, é uma forma de cárcere.
E muitos, por aqui, estão presos sem grades, aprisionados pela omissão do Estado, pela falência da política pública, pela desigualdade estrutural.
Mas ainda há tempo.
Tempo de reverter essa ausência com presença.
Presença de professores valorizados, de políticas corajosas, de escolas vivas.
Tempo de alfabetizar não só as letras,
mas a consciência.
O futuro do Piauí não pode continuar sendo escrito por tão poucos.
Ele precisa ser lido, compreendido, construído por todos.
Porque um povo que não lê, não questiona.
E um povo que não questiona, é mais fácil de calar e de se manipular.
Que o livro seja aberto.
Que o lápis alcance todas as mãos.
Que o silêncio da ignorância dê lugar ao som da leitura, e que o Piauí, enfim, aprenda a escrever seu próprio destino.
Dylvan Castro
Mestre em Direito/Consultor Jurídico

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