A estranha estratégia da campanha de Aurélio na OAB
Nos últimos dias, a campanha eleitoral da OAB tem sido marcada por uma estratégia de ataque incomum de Aurélio Lobão, candidato da atual gestão. Desde a última sexta-feira, Lobão tem direcionado uma série de ataques sem precedentes ao seu opositor, Raimundo Júnior, o que contraria a lógica usual das disputas eleitorais, onde normalmente a oposição é quem critica a gestão em exercício. Essa dinâmica levanta questões sobre a solidez da candidatura de Lobão e a efetividade de sua campanha.
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Raimundo Júnior, por outro lado, tem se destacado por sua abordagem propositiva, propondo soluções e dialogando com a advocacia, em Teresina e no interior. A insistência da gestão em atacar seu adversário pode ser um indicativo de que Júnior está sedimentado na preferência do eleitorado, causando desconforto na campanha de Lobão.
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A situação se agravou quando Lobão lançou um vídeo polêmico, utilizando uma atriz para desferir ataques diretos a Raimundo Júnior. O material, que foi posteriormente retirado das redes sociais por determinação da comissão eleitoral, parece ter sido um ponto de virada. A partir daí, Aurélio Lobão lançou mais três vídeos, desta vez utilizando jovens advogados e o candidato da CAAPI, Carlos Henrique, para intensificar os ataques. Nos vídeos, a campanha de Lobão não poupou críticas, chamando Júnior de "aventureiro" e insinuando que ele estaria associado a "velhas práticas".
Além disso, a retórica agressiva não se limita apenas aos vídeos. Nos grupos de WhatsApp e nos comentários das redes sociais, membros da chapa de Lobão têm descido ainda mais o nível. Vinícius Cabral, candidato a conselheiro seccional, chegou a se referir a Raimundo Júnior, Willian Guimarães e Sigifroi Moreno como "picaretas", demonstrando um clima de hostilidade que pode prejudicar a imagem da chapa perante os advogados e a sociedade.
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Outros candidatos da equipe de Lobão, como Pedro Marcelo e Thiago Brandim, também tentaram justificar a campanha agressiva, afirmando que o conteúdo do vídeo da atriz continha "elementos verídicos". Essa postura, além de suscitar dúvidas sobre a ética da campanha, pode desviar o foco das propostas e das verdadeiras necessidades da advocacia, que amarga com a política de poucos e para poucos desenvolvida pela OAB atualmente.
Em um cenário onde o eleitor busca alternativas e propostas claras, a estratégia de Aurélio Lobão parece arriscada. A insistência em atacar a oposição, em vez de apresentar soluções e dialogar com os advogados, pode ser vista como um sinal de fraqueza. A campanha de Raimundo Júnior, com seu tom propositivo e focado em melhorias, repercute positivamente entre os eleitores, enquanto a de Lobão parece estar se perdendo em ataques pessoais.
À medida que a campanha avança, é importante observar como essa dinâmica se desenrola e qual impacto terá nas urnas. A política, muitas vezes, é um reflexo do que as pessoas desejam e, neste momento, os eleitores expressam a vontade de ouvir propostas e um discurso mais construtivo.
Ouvido sobre o tema, Raimundo Júnior registrou: “Do nosso lado, estamos concentrados em dialogar com a advocacia e apresentar propostas concretas para o futuro. O menino sem sobrenome só quer transformar a OAB do Piauí. Nos últimos três anos, trabalhamos arduamente para criar um projeto transformador que realmente irá revolucionar a advocacia piauiense. O sentimento de renovação e mudança é sentido em todos os cantos do Piauí, porque a advocacia deseja uma gestão que advogue para a advocacia. Estamos aqui para construir um futuro melhor. Peço aos advogados que continuem acreditando em uma campanha propositiva, que valorize o respeito e o compromisso com a advocacia”.
Raimundo Júnior teve 4.542 votos, ou seja, 51,81% e Aurélio Lobão obteve 3.858 votos 44.01% dos votos. O terceiro lugar ficou com o candidato Carlos Júnior, da Chapa “Veste o Gibão”, recebeu 366.