Delegado do vídeo puxando arma para advogados já tinha sido exonerado

Foto: Oitoemeia
Presidente Chico Lucas e o Dele Anchieta

O delegado José de Anchieta Pontes dos Santos, que aparece em vídeos da própria Central de Flagrantes sacando arma e empurrando os advogados Renato e Leonardo Queiroz (irmãos), na manhã do dia 28/07, já respondeu a outros dois processos administrativos na Corregedoria  da Polícia Civil do Piauí: um por receber dinheiro indevidamente da Prefeitura de José de Freitas e outro por presenciar agressão praticada por policial dentro de delegacia contra uma pessoa e não tomar providências. Ele também já foi acusado de efetuar disparo em via pública.

Foto: reprodução
Documento de exoneração

Na manhã desta sexta-feira (04/08), vazaram as imagens da confusão ocorrida dentro da Central de Flagrantes no dia 28 de julho, entre o delegado Anchieta e os advogados Leonardo e Renato. Até então, as informações repassadas à imprensa eram que o delegado havia botado a mão na arma para se defender. As imagens, no entanto, mostram uma discussão e o delegado sacando a arma e partindo para cima dos advogados, chegando a empurrá-los e empunhar a arma.

A presidente do Sindicato dos Delegados do Piauí, Andréa Magalhães, disse que as imagens foram editadas e que não aparece o áudio da discussão.

“Não importa o que o advogado disse. Não podemos admitir é que o delegado, no seu papel de representar o Estado, sacar a arma para impedir o exercício legítimo de um profissional da advocacia. Não vamos permitir”, defende Chico Lucas, presidente da OAB-PI.

O delegado geral da Polícia Civil, Riedel Batista, pediu cautela e que a paz reine entre as duas categorias, mas adiantou que qualquer ato de violência é inaceitável.

O delegado Anchieta entrou em férias depois das confusão e não foi localizado pela reportagem do Portal AZ para apresentar sua versão dos fatos.

Mas a reportagem do Portal AZ resolveu “puxar a ficha” do delegado. Na Corregedoria da Polícia Civil ele já respondeu a duas “broncas”: na primeira, ele chegou a ser exonerado da Delegacia de José de Freitas pelo ex-secretário Robert Rios Magalhães. Foi no ano de 2010. Anchieta foi acusado de receber dinheiro da Prefeitura Municipal de José de Freitas. Na época ele era delegado do município.

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Documento de exoneração

Na época, o então secretário Robert Rios não concordou com uma espécie de absolvição antecipada em favor de Anchieta e despachou que "em razão do exposto e concordando com o Parecer exarado pela douta Procuradoria Geral do Estado (fls. 181/ 186), não tendo havido indiciação e tendo a comissão promovido uma absolvição antecipada, restando lacunas na instrução e incoerências na conclusão do presente feito, decido por não acatar a proposta de absolvição sumária ante as ausências de indiciação e defesa escrita, o que impede de se emitir um julgamento, declarando incompleta a instrução probatória, e determino a designação de outro colegiado para que sejam coletados novos atos e provas, se necessário, ou para que diretamente seja redigida a indiciação, coletando defesa e emitindo relatório de forma a propiciar totais condições de se emitir julgamento".

Na outra “bronca” que o delegado Anchieta respondeu foi por presenciar um policial torturando o senhor José Airton Ferreira de Sousa, dentro da delegacia, e não adotar nenhuma providência.

Anchieta também já foi acusado de sacar a arma e atirar em via pública.

A confusão na Central de Flagrantes está sendo apurada através de inquérito policial pelo delegado Carlos César. A Corregedoria da Polícia Civil também já abriu processo administrativo para apurar o caso.

Anchieta, que estava usando óculos escuro o tempo inteiro (inclusive dentro da sala na Central de Flagrantes) se negou a fazer exame para saber se havia ingerido bebida alcoólica. O exame do advogado deu nagativo.

Foto: reprodução
Documento de exoneração

Assista, abaixo, ao vídeo da confusão na Central de Flagrantes:O presidente da Associação dos Defensores e Advogados Criminalistas do Piauí, Haroldo Vasconcelos, vai pedir reparação moral em favor dos advogados Renato e Leonardo, em desfavor do delegado.

FONTE: Walcy Vieira do AZ

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