Até então desconhecido no cenário nacional, Felipe Santa Cruz ganhou projeção em 2019 quando venceu a disputa pela presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O advogado passou a ganhar notoriedade no meio político ao se contrapor ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e por dar uma cara mais ideológica à entidade que representa advocacia, principalmente por defender pautas mais ligadas à esquerda.
Agora, prestes a deixar a cadeira de presidente da OAB, mais precisamente em janeiro de 2022, o ex-petista Felipe Santa Cruz já começa a se articular para disputar um cargo político nas eleições do ano que vem. O advogado admitiu publicamente que mantém conversas com representantes partidários e recentemente passou a ser sondado por siglas como PSDB, PSB e o PDT.
Uma das possibilidades articuladas pelos partidos é que Santa Cruz dispute o governo do Rio de Janeiro, seu estado natal. No estilo “outsider”, o advogado seria um nome para se contrapor ao governador interino Claudio Castro (PSC), que chegou ao posto após o afastamento de Wilson Witzel (PSC) e admitiu que pretende concorrer à reeleição no ano que vem.
Claudio Castro se aproximou da família Bolsonaro e por isso sonha em ter o apoio do presidente da República no ano que vem. Com essa articulação ocorrendo no reduto eleitoral dos Bolsonaro, alguns líderes partidários admitem que Santa Cruz seria o nome para se contrapor na disputa.
Santa Cruz é próximo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um dos maiores entusiastas para que ele se filie ao partido tucano. Além disso, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM) já teria sinalizado apoio ao nome do atual presidente da OAB. Caso as alianças não sejam fechadas para a disputa do governo estadual, outra possibilidade estudada por Santa Cruz é a disputa por uma vaga no Senado.
"Tenho relação muito boa com o João Doria. Converso muito sobre política com partidos de centro-esquerda aqui do estado, como PDT, PSB. O que tenho feito hoje é a construção de um campo democrático em defesa do Estado Democrático de Direito", afirmou o presidente da OAB à revista Época.
Apesar de chegar como novidade, caso se confirme, essa não será a primeira vez que Santa Cruz disputará um cargo eletivo. Em 2004, o advogado chegou a concorrer uma cadeira de vereador pelo Rio de Janeiro, mas acabou não se elegendo ao receber pouco mais de 3 mil votos. Na época, o PT foi a legenda escolhida para filiação.
Oposição a Bolsonaro
Disputando eleitor no mesmo reduto eleitoral que Bolsonaro, Santa Cruz deve seguir como opositor do atual chefe do Palácio do Planalto no ano que vem. O presidente da OAB diz que pretende manter as conversas com os diferentes partidos, mas só irá definir sua filiação quando deixar o comando da ordem.
“A certeza que tenho é de que vou trabalhar contra Bolsonaro em 2022. Tenho sim ouvido propostas dos partidos e estou disposto a formar um palanque que seja contrário ao presidente”, admitiu Santa Cruz à revista Veja.
Filho do ativista político Fernando Santa Cruz, desaparecido político da época da ditadura militar. Em 2019, Felipe Santa Cruz ganhou destaque quando o presidente Jair Bolsonaro deu a entender que sabia o que havia acontecido com Fernando Santa Cruz nas mãos dos agentes da repressão. O advogado chegou a entrar com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o mandatário esclarecesse o que quis dizer.
"Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade", disse Bolsonaro na ocasião.
Desde então, o presidente da OAB protagonizou diversos embates contra Bolsonaro. Recentemente, apresentou uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir que o Executivo compre doses suficientes para a vacinação em massa contra a Covid-19 no Brasil.
Na ação, a OAB argumenta que o governo Bolsonaro vê a imunização “mais como um problema do que uma solução”. O texto assinado por Santa Cruz cita os atrasos na campanha de vacinação e o risco do surgimento de novas variantes do coronavírus decorrentes desse retardo.
FONTE: Gazeta do povo